– Base de reflexão: 3ª.parte de O Livro dos Espíritos, as Leis Morais fundamentaram o Evangelho Segundo o Espiritismo

Para que possamos compreender o microcosmo familiar, é importante compreendermos o macrocosmo social. Por mais procuremos as causas para as questões que afligem a família, nunca poderemos chegar a uma conclusão se não observarmos em qual contexto sócio-cultural a família se situa, quais os problemas sociais que ela enfrenta, quais os fatores genéticos que a caracterizam, quais os seus padrões de conduta, dentre outros fatores para finalmente sair em defesa da união de seus componentes, sob o ponto de vista ético-moral.

Então é muito mais do que apenas fazer reuniões onde cada elemento da família expõe seus anseios, como querem algumas “terapias familiares’ surgidas no meio “espírita”, onde todos clamam por atenção e compreensão. Na maior parte das vezes essas reuniões terminam com choro e abraços. Mas permanece a pergunta: os problemas reais foram solucionados? Alcançou-se realmente o entendimento das causas dos conflitos? Ou eles – os conflitos – foram jogados debaixo do tapete para posterior limpeza?

O Espiritismo faz muito mais por todos nós do que possamos imaginar – leva-nos ao entendimento das causas reais e não aparentes dos dramas humanos, por conseguinte, familiares e sociais.

No cap. 19 itens 8 e 9 do ESE, Allan Kardec destaca a parábola da figueira seca relatada por Jesus no Evangelho de Marcos, cap 11, vers, 12 a  23 e é com maestria que o Codificador compara a figueira seca às utopias, às doutrinas sem bases sólidas que, se não produzirem bem à humanidade, serão reduzidas a nada e que todos os que não se utilizaram dos recursos de que estavam dotados, serão tratados como a figueira seca.

A figueira seca é o símbolo da aparência do Bem, mas que nada produz de Bom.

Em O Céu e o Inferno (Cap.1, 1ª. parte, it.10), Kardec afirma que de sistemas, utopias, crenças vazias, decorrem dificuldades insuperáveis, pois “são impotentes para resolver todas as questões de fato que suscitam.”

O ser humano na pós-modernidade teria, então, três alternativas: “o nada, a absorção no todo (doutrinas panteístas) ou a individualidade da alma antes e depois da morte.”

Fatalismo –lei de causa e efeito e momento de transição sendo acionados a todo  instante no meio espírita para justificar os conflitos humanos  – onde estaria o nosso livre-arbítrio?

E prossegue Kardec: “é para esta última crença que a lógica nos impele irresistivelmente, crença que tem formado a base de todas as religiões desde que o mundo existe.

As doutrinas espiritualistas falam de vida após a morte mas somente o Espiritismo vai dar um sentido para a vida após a morte. Como exemplo,  O Céu e o Inferno traz um elenco de testemunhos de Espíritos nas mais diversas situações morais e intelectuais viventes em planos existenciais concernentes ao seu nível de evolução.

“E se a lógica nos conduz à individualidade da alma, também nos aponta esta outra consequência: a sorte de cada alma deve depender das suas qualidades pessoais. (…) Segundo os princípios de justiça, as almas devem ter a responsabilidade dos seus atos, mas para haver essa responsabilidade, preciso é que elas sejam livres na escolha do bem e do mal.”  Kardec nos convoca a não entendermos a lei de causa e efeito literalmente entendida, pois seria fatalismo, e consequentemente nos levaria à Lei de Talião. .

Em seu item 2 do mesmo capítulo: “Pela crença em o nada, o homem concentra todos os seus pensamentos forçosamente, na vida presente, pois logicamente não se explicaria  a preocupação de um futuro que não se espera.”

“Esta preocupação exclusiva com o presente, conduz o ser humano a pensar em si, de preferência a tudo: é pois, o mais poderoso estímulo ao egoísmo, e a incredulidade é consequente quando chega à seguinte conclusão: Aproveitemos enquanto aqui estamos, aproveitemos o mais possível, pois que conosco tudo se acaba e não sabemos quanto tempo existiremos.

E ainda: “aproveitemos apesar de tudo, e depressa, e a qualquer modo, porque não sabemos quanto tempo existiremos, e a felicidade é do mais esperto”

“Se o respeito humano contém a alguns seres, que freio haverá para os que nada temem?”

A seleção espiritual prossegue intensa e dramaticamente ocorrendo no mundo; são as leis divinas insculpidas na consciência e portanto DEUS AGINDO EM NÓS, marca do obreiro em sua obra (expressão de (René Descartes).

“Acreditam estes últimos que as leis humanas não atingem senão os inábeis, e assim empregam todo o seu empenho no melhor meio de a elas se esquivarem.

Se há doutrina insensata e anti-social, é seguramente, o niilismo que rompe os verdadeiros laços de solidariedade e fraternidade, em que se fundam as relações sociais.”

E como tudo isso atinge os nossos laços familiares?

Na questão 775 de O Livro dos Espíritos, “qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços de família?” Os Espíritos respondem : “Uma recrudescência do egoísmo.”

Muitos pensadores e religiosos, sociólogos e filósofos tem se debruçado  neste fenômeno social que estamos vivenciando na atualidade.

Faço neste espaço algumas reflexões até para incentivar aos brasileiros à construção de nossa cidadania, e buscar algumas definições nesses pensadores, pois não é possível compreender inclusive os problemas familiares sem compreender o contexto em que eles se manifestam.

Portanto, repito, não se trata apenas de jogar para a responsabilidade da Lei de Causa e Efeito, pois Isto seria interpretar as Leis Divinas, tão sábias e magnânimas de maneira simplista e sem a profundidade necessária.

Allan Kardec complementa: “se há doutrina insensata e anti-social é, seguramente, o niilismo, que rompe os verdadeiros laços de solidariedade e fraternidade, em que se fundamentam as relações sociais.”

Remeto aos prezados leitores e internautas à leitura do ITEM 3 DO CAP. I DE O CÉU E O INFERNO : Um povo e um jovem de dezoito anos.

Em 2004, durante o Congresso Espírita Mundial, em comemoração aos 200 anos de nascimento de Allan Kardec, Gabriel Delanne traz uma mensagem, Liberdade com o Espiritismo, através da mediunidade de Raul Teixeira, esta mensagem está na íntegra no site supra citado, ou através do link: http://www.filosofiaespirita.org/site/sem-categoria/liberdade-com-o-espiritismo

Citamos terapias alternativas familiares que incluem a autoajuda: numa análise mais aprofundada, essas alternativas parecem enfatizar MECANISMOS DE ESCAPE para  problemas que trazem lastros do passado, e que afloram para a solução definitiva.  Como não nos preparamos devidamente com os conhecimentos que o Espiritismo nos convida a aprofundar, buscamos fugir de toda forma ao enfrentamento de suas causas, que em maior parte repousam nas atitudes que tomamos frente ao sofrimento que poderão estampar.

Citamos como exemplo, o episódio de JESUS E SEUS APÓSTOLOS durante a tempestade no barco à deriva no Mar da Galiléia. Jesus desperta ante o desespero de seus seguidores, acalma-os bem como à tespestade. Utilizando deste exemplo, EMMANUEL e JOANNA DE ÂNGELIS (VAMOS APROVEITAR ESTE ESPAÇO PARA AFIRMAR PEREMPTORIAMENTE QUE ESSES ESPÍRITOS NÃO FORAM OU NÃO SÃO APENAS ORIENTADORES DOS MÉDIUNS QUE OS SERVIRAM, COMO TEM SIDO PROPALADO, ELES SÃO E SERÃO PARA TODO O SEMPRE ORIENTADORES DA HUMANIDADE, JÁ QUE, INCLUSIVE, COMPUSERAM A FALANGE DO ESPÍRITO DA VERDADE, QUE TROUXE O ESPIRITISMO À TERRA), dizíamos que Emmanuel e Joanna de Ângelis afirmam que Jesus está no leme deste barco na atual tempestade que assola a Terra, porém este conhecimento não deve servir para que nos acomodemos no fundo da barca, procurando nos esconder do acerto de contas com nossas mazelas do passado e do presente. JESUS ESTÁ NO LEME, sim, porém todos estamos sendo chamados à mudança de comportamento para, finalmente, fundarmos a Civilização Cristã e Espírita do futuro a partir de agora, em nossas consciências e da das futuras gerações.

Gilles Lipovetsky diz em seu livro A era do vazio: o que encontramos nesse individualismo contemporâneo? “o narcisismo, e explosão hedonista com seus valores permissivos, psicologistas (aqui vai uma séria crítica à Psicologia, que não é a panaceia milagrosa, a solucionar todos os problemas e todas as coisas, pois não se trata de um fim em si mesmo), ao culto da descontração, ao estilo cool, e descontraído de ser…”

E ele pergunta: “Que é que nas nossas sociedades democráticas avançadas pode-se tornar fator” de tranquilidade para a humanidade em seu conjunto?

Dois outros pensadores, Habermas, em sua ÉTICA DISCURSIVA (católico) e Apel, dizem que é preciso criar “uma macroética, mas também uma ética da responsabilidade (Jonas), fundada na razão, de maneira a dominar plenamente as formas culturais contemporâneas.“

E porque isso? Porque o que vemos hoje são conservadorismos, fundamentalismos e extremismos ou – no outro extremo – degradação de costumes .

Ainda : “as novas tecnologias engendram um crescimento brutal dos poderes do homem, tornado sujeito, mas também objeto de suas técnicas.”

Jaqueline Russ : “Uma nova perspectiva é requerida, que ponha fim à ‘desmoralização’ do ser humano, privado de referências”, referências essas que promanaram  da Religião, da Monarquia e/ou do Estado.  ”É preciso trabalhar para criar novas fundamentações éticas.”

Vemos aqui a grande oportunidade para a Ética Espírita baseada na moral de Jesus de Nazaré se ampliar e se solidificar nos corações humanos.

O niilismo (morte das ideologias – inclua-se aqui a religiosa no conceito dos autores),abriu a era do vazio.

Voltemos ao O Céu e o Inferno (lembramos os seus 150 ANOS de publicação em 2015, embora NUNCA SE DESATUALIZE), Item 2: “Torne-se absoluta a incredulidade da maioria, e a sociedade entrará em dissolução.”

Ora, de que é feita a sociedade? De indivíduos e de núcleos chamados famílias.  

Papa Francisco : Deus não castiga, Ele oferece caminhos…

E a Igreja renovada em seus conceitos de família e sociedade idealizada por esse Papa, ainda poderá ser um desses caminhos para a sociedade de crentes e de necessitados de toda a sorte, já que ela está presente no mundo inteiro.

Vejam como os Espíritos Superiores agem, onde não é possível estar o Espiritismo como um corpo de doutrina inspirado por Jesus de Nazaré, os seus missionários lá estarão distribuindo conforto e caminhos alternativos ao vazio, ao abandono, às guerras de extermínio, ao horror gerado pelo niilismo e pelo extremismo.

Então é neste contexto que os conflitos familiares poderão surgir, já que a família vive na sociedade, nela influencia e é por ela influenciada.

Por isso e por muito mais não podemos atribuir somente à lei de causa e efeito os conflitos que surgem no cotidiano de um lar.

Se um lar não é estruturado pelo respeito mútuo entre os seus componentes, é óbvio o surgimento de lastros do passado que remetem a desvios de conduta, podendo chegar á violência.

Cumpre que ancoremos os nossos laços familiares no mais profundo estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, para nós espíritas, acrescidos das demais obras fundamentais espíritas.

Para católicos, a reza do terço encaminha à meditação e à reflexão da Vida e paixão de Jesus e o seu significado.

O Livro dos Médiuns ainda complementa este estudo, revelando a influência dos Espíritos desencarnados na sociedade, principalmente quando ela é agressiva e niilista, item 341 : (…)

Remetemos os nossos leitores à meditação da  questão 790 (Civilização do futuro) de O Livro dos Espíritos.

No livro “Emmanuel”, do Espírito de mesmo nome, há uma reflexão deste eminente Espírito, chamada O Evangelho e o Futuro, onde o nosso orientador destaca o momento em que vivemos e a força que a presença de Jesus tem e continuará tendo em toda a humanidade, a partir do sofrimento e da dor que ela mesma engendrou e engendra nos tempos atuais – vale a pena ler e meditar.

Se não moldarmos o nosso lar dentro dos padrões cristãos e espíritas, nossa sociedade não será cristã e espírita – será apenas um arremedo de sociedade e continuará tão fragmentada e sem rumo como muitas famílias hoje estão.

Está em nossas mãos darmos os passos necessários para isto, inclusive para a FORMAÇÃO DE NOSSA CIDADANIA BRASILEIRA QUE, SEM NACIONALISMOS IDEOLÓGICOS ULTRAPASSADOS, PRECISA URGENTEMENTE SE ESTABELECER EM BASES SEGURAS DE RESPEITO ÀS LEIS, À VIDA COMO UM TODO, À NATUREZA. SEM ISTO, FRACASSAREMOS ESTRONDOSAMENTE como nação.

Sonia Theodoro da Silva, bacharelanda em Filosofia.

 

 

 

Lei de Sociedade como construtora da cidadania cristã e espírita

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